• Carolline Silva

O mito na vida real



A Mulher Ruiva, de Orhan Pamuk, é um dos livros que ocupa o hall daqueles que me surpreenderam — em diversos sentidos. Primeiro contato com a escrita do autor e com a literatura turca, comecei com o "pé direito" nesse universo.

Protagonizado por Cem Çelik, a obra o acompanha da adolescência até a fase adulta. Enquanto jovem, o protagonista é abandonado pelo e precisa trabalhar para pagar seus estudos e realizar o sonho de escritor. Surge então a oportunidade de ir trabalhar com Mahmut.

Em Mahmut, Cem encontra a figura paterna. Entre o árduo trabalho durante o dia e as histórias e fábulas contadas a noite, a relação entre mestre e aprendiz se intensifica.

Com obsessão em mitos, a história de Édipo tem papel importante na vida de Cem e em todo o enredo. Enquanto trabalha com Mahmut, o jovem conhece a Mulher Ruiva, atriz de um teatro itinerante. A paixão é instantânea e ela será responsável pelas mudanças na vida de Cem Çelik.

Escritor e professor de literatura, Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul. Foi o primeiro escritor turco a ganhar o prêmio Nobel de Literatura em 2016 e tem grande importância comercial em seu país.


Pamuk nos cativa pela escrita, em A Mulher Ruiva. Com um enredo leve, o autor nos faz caminhar entre a história de Cem Çelik e mitos antigos e conhecidos por grande parte dos leitores: Édipo Rei e de Rostam e Sohrab, ambos parte importante da narrativa que se desenrola.

A certo ponto da obra, a narrativa se torna mais monótona, mas não menos interessante. Essa parte é a base para os acontecimentos futuros e a conexão entre mito e realidade.


Opinião de leitora


Confesso que demorei para ler o livro, que foi enviado pela TAG Curadoria em Janeiro desse ano. O arrependimento é não ter lido antes. A obra de Pamuk me cativou e me fez refém, foi daqueles livros que eu não consegui largar até terminar.

A parte dois é um pouco monótona, o que gerou uma certa preguiça, mas as referências aos mitos e escrita fluida me fizeram permanecer até a terceira parte... que eu li de um fôlego só.

Confesso que imagina um possível embate entre pai e filho ao final, por toda referência entre pais e filhos que acabam se matando por causa do destino, mas não esperava que se desenrolasse da forma como aconteceu.

O questionamento que ainda fica, mesmo após fechar o livro é: Cem realmente tirou a arma para se proteger? Ele realmente abandonou Mahmut da maneira como foi descrito?

Perceber que o livro é narrado por Enver ao invés de Cem mudou minha perspectiva de toda a narrativa, inclusive do sentimento de paixão instantânea pela Mulher Ruiva.

Quero reler em outro momento, quem sabe assim vejo indícios do verdadeiro narrador... no mais é um dos livros que mais me encantou nos últimos tempos.

Avaliando o livro


  • Título original: Kirmizi Saçli Kadin

  • Autor: Orhan Pamuk

  • País: Turquia

  • Número de páginas: 296

  • Editora: Companhia das Letras

  • Nota: 5

  • Categoria: Literatura Turca

  • Ranking 2021: 1º

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